VELHO

Estou velho(a), não sirvo mais pra nada!




Numa sociedade contemporânea, liberal, capitalista, que preza a produtividade, o velho não tem vez. Então como lidar com a obsoletidade, a decadência do corpo, a fragmentação da mente e desintegração da rede social?


Observo que nesse mundo de descarte, a alma sofre, a mente “enferruja”, o coração “inflama”, as emoções “adoecem”. Coloco entre parênteses, porque não é científico, mas da observação cotidiana e da percepção da lida diária com pessoas em sofrimento. Portanto venho essa semana refletir com vocês sobre o envelhecimento ou o sentimento de estar em desuso.


A jovem cantora e poetisa Sandy, em uma de suas músicas diz: “Sou jovem pra ser velha e velha pra ser jovem”. (Aquela dos 30). Ela nos apresenta o dilema de uma pessoa preste a completar 30 anos e que já vive a dicotomia e pluralidade do envelhecimento em nossa sociedade. Ou seja para se sentir velho não necessariamente a pessoa precisa ter uma idade cronológica avançada, a beira de completar o centenário.


Com toda essa introdução eu quero acusar e apontar que na verdade não somos produtos tecnológicos que se defasam em seis meses, não somos um celular ou um aparelho de televisão, que poucos dias após ser comprado aparece outro modelo no mercado e pode ser substituído.

Pelo contrário, quero alertar os leitores, que nós seres humanos, não somos coisas ou produtos, nós somos energia vital e receptáculos de conhecimentos e emoções que podem ser transferidos e passados para outras pessoas que nos cercam.


Afirmo que a cada dia que se passa, nos tornamos mais modernos, mais atualizados, em versões melhores.


O acúmulo de dias nos proporciona percepção e interpretação da realidade mais refinados, mas como estamos submergidos nas ideias de competitividade alienante, nem sempre nos damos conta do nosso valor e nem sempre compartilhamos nossa reserva e estoque de saberes com os outros.


O meu convite nesta semana, é para que você que está se sentindo velho, venha a refletir sobre sua trajetória, e sobre tudo que tem vivido e aprendido ao longo dos anos, e que comece a pensar em estratégias para deixar um legado, e que possa depositar nos que estão aos seu redor as boas e interessantes coisas que você sabe e que você tem.


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